sexta-feira, 31 de março de 2017

PORTADOR DE HANSENÍASE: IMPACTO PSICOLÓGICO DO DIAGNÓSTICO

Mariana Guimaraes Bicalho Silveira, Adilson Rodrigues Coelho, Suely Maria Rodrigues, Marina Mendes Soares, Gustavo Nogueira Camilo











  • Resenha Crítica

A lepra, também conhecida como mal de Lázaro é uma doença antiga que já foi muito confundida com outras doenças, principalmente as da pele e venéreas. Ela age em silêncio e trazendo junto com ela a discriminação, preconceito e rejeição.
A lepra foi mudada de nome no ano de 1995 para hanseníase, com a tentativa de diminuir ou acabar de vez com o preconceito em relação a doença.
É uma doença infectocontagiosa, silenciosa, que se manifesta através de manchas na pele, lesionando também os nervos periféricos. Ainda é considerada um grave problema de saúde que ameaça jovens e adultos.
A transmissão da bactéria Mycobacterium leprae ou bacilo de Hansen se dá por meio de contato direto com a pessoa doente não tratada ou podendo ser transmitida por vias aéreas superiores e saliva do indivíduo doente.
O período de incubação da doença é prolongado e ela pode se classificar em quatro formas da doença: Hanseníase Indeterminada; Tuberculóide; Borderline e Virchowiana.
Trata-se de um estudo com cinco pacientes cadastrados no CREDEN-PES, acima de 18 anos, de ambos sexo, com a abordagem qualitativa, utilizando métodos comuns a antropologia e etnografia, através das observações e os estudos de casos. As técnicas envolvem dos resultados de um grupo de estudo que se submetem as características culturais a serem estudadas.
O estudo foi realizado no estado de Minas Gerais, no Centro de Referência em Doenças Endêmicas e Programas Especiais Dr. Alexandre Castelo Branco. O atendimento é realizado por uma equipe multidisciplinar.
O serviço é ligado aos portadores de hanseníase, tuberculose e leishmaniose, mas os casos suspeitos de hanseníase que são atendidos nas UBS são encaminhados ao CREDEN-PES por meio de relatórios médicos.
Depois de confirmado diagnóstico e avaliação médica é prescrito o tratamento, levando em consideração o peso do paciente, para administração de medicamento. O paciente recebe uma cartela mensal do medicamento para uso diário e a dose autoministrada uma vez por mês no CREDEN-PES.
No decorrer do tratamento, são realizadas orientações dos profissionais de saúde sobre a doença, transmissão, tratamento, efeitos adversos á medicação e necessidade de acompanhamento pelo médico. Todos os procedimentos são registrados no prontuário do paciente.
As entrevistas foram realizadas em uma sala com ótima estrutura e ventilação, tranquilidade e silêncio com o objetivo de assegurar a privacidade dos entrevistados, com um recurso de um gravador digital. Cada entrevista durou de 40 a 60 minutos, e esse tempo permitiu uma entrevista clara e sem causar desconforto aos pacientes.
Foram realizadas entrevistas com pacientes do sexo masculino, na faixa etária de 36 a 70 anos portadores da doença, onde teve destaque para dois dos quatro tipos de hanseníase, a tuberculoide e a virchoviana.
Todas as informações que os profissionais da saúde tiveram durante as entrevistas, foram divididas em quatro categorias, sendo elas: Categoria 1 – Acolhimento; Categoria 2 – Informações passadas pelos profissionais de saúde; Categoria 3 – Reação ao saber do diagnóstico e Categoria 4 – O cotidiano do portador da doença e sua relação com a sociedade.
Na categoria 1 que se trata do acolhimento, foi abordada a forma como os profissionais de saúde desempenham esse papel.
Na categoria 2 que se trata das informações transmitidas pelos profissionais de saúde, foi passado aos pacientes tudo que eles precisam saber sobre a doença, foi falado sobre o diagnóstico, tratamento e a medicação que é gratuita.
Na categoria 3 que se trata da reação ao receber o diagnóstico, os pacientes recebem orientações para o tratamento que deve ser começado.
Na categoria 4 que se trata do cotidiano do portador da doença e suas relações com os indivíduos, foi abordado o dia a dia dos pacientes e a forma como eles se relacionam com a família e a sociedade.
Podemos então observar como um dos pontos negativos as pessoas que ocultam a doença com medo do preconceito, discriminação e rejeição. O apoio familiar que muitas vezes o paciente não tem e o preconceito na sociedade que ainda vemos muito.
Como pontos positivos, saber que mesmo em meio ao preconceito existe muitas pessoas que estão preparadas para o diagnóstico, que já conhecem sobre a doença e sabem que mesmo com a doença podem continuar exercendo suas atividades normais, de uma maneira mais restrita devido a medicação.

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